quarta-feira, dezembro 19, 2007

O Sorriso

Depois de ver este documentário surgiu a ideia de fazer o trabalho de Sociologia sobre o sorriso. Obrigado Pedro por ter oferecido este vídeo.


E quando o momento finalmente chegou, eu não tinha ideia do que poderia acontecer, a câmara a gravar, as perguntas estão prontas, Dalai Lama olhou para mim, voltou-se e sorriu. Comecei!

Tenho viajado à volta do mundo por muitos muitos anos, acerca de 20 anos, e tenho explorado culturas, sociedades e pessoas. Tenho tido muita sorte nestes últimos dez anos porque me foi pedido que fizesse documentários sobre diferentes países. Vou lá, vivo lá e exploro-os de maneira a percebe-los realmente.

Eu disse a sua Santidade que em todos os sítios do mundo onde eu já estive, incluindo na índia, reparei sempre que as pessoas mais felizes que eu conheci eram as mais pobres. Podemos ir aos piores sítios de Calcutá ou Bombaim e ver mais sorrisos nas caras das pessoas que veríamos entre os ricos e privilegiados. Há uma história antiga que conta que perguntaram a um Padre se ele preferiria consolar os ricos ou os pobres. Ele respondeu que preferiria consolar os ricos, porque os ricos sabem que ter mais dinheiro não resolve os seus problemas. Ao que parece, se tiveres muito pouco na vida, tens muito pouco com o que te preocupar, por outro lado se tiveres muito, pode ser que tenhas muito a perder. Pagava para ver o mesmo tipo de sorrisos nas caras dos mais famosos e ricos da Índia que posso ver nos rostos dos seus camponeses, do seu povo.

Então, porque é que, ao que parece, a Índia é um país muito mais rico a determinado nível do que a América (EUA)?

Demasiada ganância, desejo ilimitado. Isso também como fonte de problemas, fonte de sofrimento.

Individualismo também. Se mantiveres sempre o sentimento ‘mais, mais, mais’ até ao seu último dia, essa pessoa nunca estará satisfeita, quer sempre ‘mais, mais, mais’. Então, mentalmente, essa é uma pessoa muito pobre. Tem sempre fome, está sempre com fome de algo. Então, alguém que seja de uma família pobre, mas que diariamente tem as suas necessidades básicas saciadas, permanece feliz. Isso significa o que eu penso, que mentalmente... [é] realmente rico.

Também penso que a satisfação é também muito importante. [Satisfação: usada aqui num sentido Budista de satisfação como libertação de ansiedade, libertação do desejo ou de necessidade, libertação do ‘querer’]

É verdade que as pessoas na Índia e no Tibete parecem contentes, satisfeitas, mesmo que tivessem vidas ou realizassem trabalhos que nenhum americano normal considerasse fazer. Mas ainda mais do isso, a vida é verdadeiramente difícil nestes países, mas o crime, os abusos, assassinatos são extremamente baixos comparados com os países ocidentais. A Índia ou o Tibete não têm prisões superlotadas com criminosos violentos. As pessoas no Ocidente parecem tão apressadas e zangadas, ao passo que as pessoas destas regiões parecem ter paciência infinita.

Serão eles mais resignados, aceitando o seu destino, ou é a resposta bem mais complexa que essa?


1 comentário:

Mpalma disse...

obrigada pela visita* :)